terça-feira, 22 de setembro de 2009

UM ESCURO MUNDO



"GRIS" É UM NOME QUE ME AGRADA

COMO ME AFASTAM OUTROS:

"TRISTE" E "MELANCOLIA".

EM MEU QUARTO TINHA UMA LATADA PERTURBADORA

DE CHEIROS DE FLORES DE MARACUJÁS

RELUTO POR QUERER APAGAR

SEM NÚMERO DE COISAS.

FLOR JAMAIS SEREI.

E NO ESCURO QUERO AJEITAR A VELA QUEBRADA

SOPRO

ACENDO

QUEIMO O DEDO

NÃO POSSO DESISTIR DO ESCURO

E NEM DA VELA QUEBRADA

NÃO SÃO MEUS GOSTOS

SÃO UTENSÍLIOS

QUE PROVAM QUE A COMTEMPLAÇÃO

NÃO VALE

EM UM MUNDO ESCURO.


Escrito por Rosa Kapila às 11h31
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NA TUBADA



DESCI DA VAN NO TRIÂNGULO DAS BERMUDAS: CAMERINO

AV: PASSOS

MARECHAL FLORIANO

SEGURO NA MÃO DE DEUS ATÉ A PRESIDENTE VARGAS COMO UM RELÂMPAGO

FUGINDO NA TEMPESTADE

JÁ QUE A VIDA É UMA ESTAÇÃO MAIS LONGA

PARA O ARREPENDIMENTO.

AS LÁGRIMAS RITUAIS

ESPELHAM UMA CONFUSÃO

DOS AMORES QUE NUNCA VIERAM

DOS AMORES QUE NUNCA FORAM.

BRAÇOS DE PREOCUPAÇÕES

PERNAS DE PREOCUPAÇÕES

ABANDONO A GRAÇA

UM HOMEM COM GORDURAS ME PEDE DINHEIRO

À FRENTE DO Mc DONALD'S

O SONO ME CHEGA

PRECISO ANDAR

PRECISO CORRER

SENÃO MEU SONO FOGE

SAIO NA TUBADA

CORTANDO SONO

CORTANDO FEBRE

CORTANDO CAMINHO DE GATO PRETO

CORTANDO GORDURAS DE HOMEM

QUE A AV. PASSOS ME ABRACE

E A IMPERATRIZ TAMBÉM.








Escrito por Rosa Kapila às 11h55
EU SEMPRE TIVE UM CORPO-CADERNO



AGARRADA A UM CADERNO DE ARAME

SINTO UMA VERTIGEM

QUE EU JULGAVA NÃO SABER.

O PÉ MEU DE ROSA DEIXA A MARCA

E PERFUMES FEITOS PRA MEU BEBÊ

FEITOS PRA ESSE AMOR.

SE DEUS DISSER-ME NÃO

MAIS UMA VEZ EU CHORO.

O CADERNO ESPIRALADO

É UM ABISMO.

EU ESCREVENDO NO TUBO DO VENTO

TONSURADO

SEM CHANCES DE NEGAR NOMES.

EU SEI FAZER OLHOS

EU SEI FAZER VERBOS

EU SEI FAZER CORAÇÕES

EU SEI FAZER LÍNGUAS

A PRECE DE MEUS JOELHOS

É TÃO PROFUNDA

QUE ASSUSTA O SILÊNCIO.

TEMOS O VÔO HOJE

TEMOS O VÔO HOJE

É A FALA DE MEU VIZINHO.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

STEVE JOBS
“Mesmo quando ralham comigo, tenho a minha quota de fama”
(Pietro Aretino – 1492-1556 )


Por que tanta ansiedade?
Com os analistas simbólicos e trabalhadores do conhecimento
Formando gerações de máquinas-inteligentes
Todos te mandam sinais para um futuro paraíso tecnológico
Parece que paramos de rezar pelo salvamento
Na Terra Prometida de leite e mel.
Vamos Steve...
Vamos civilizar as planícies de nossas almas...
/enquanto temos eletricidade e água para beber.
Como criar abundância de novos bens?
Como entender a duração do dia?
Seria a Ciência uma metáfora cósmica essencial...
/ou seremos como dizia Descartes, autômatos sem alma?
Nós nem acendemos mais fogo!
Oh mundo atormentado e dividido.
E lá vem Steve com a operação dilúvio!
Mesmo deitado Jobs têm muitas iluminações.
E quem tem ouvidos, ouve os espíritos falando.
Teria Steve Jobs
Uma vingança social a fazer?
Te aconselharia chá de alface orvalhado antes.
Fico pensando que nessas horas
Jobs está planejando o que vai acontecer
No futuro e anotando!
Quem nunca teve um guru
Que atire a primeira pedra.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Trecho de meu livro “Quando Mamãe Souber”
Estarei autografando-o no dia 15/09/09 às 11 hs.
Da manhã, na Bienal do Livro do Rio, no estande da
Ed. Ao Livro Técnico.
“Já era de noite quando levantamos da areia. A lua
estava linda, parei no descampado da praia para ficar
contemplando-a. Algumas nuvens corriam e outra menor
ficou debaixo da lua: tinha o formato de um porquinho.
Daí a pouco, como numa dança, o porco se desmanchou.
Olhei pro chão e já tinham roubado meus tênis. Nem sujos
Eles foram salvos. (Rosa Kapila)

sábado, 22 de agosto de 2009

QUANTO MAIS ELE AGUENTA ATÉ ENLOUQUECER?
“Aquele a quem não se consegue ensinar a voar, ensine-se
a cair mais depressa.”
( Friedrich Nietzsche )


Fecho o livro com as duas mãos
E ajusto minha sombra na janela
O real acontece na televisão...
/enquanto os pesadelos passeiam
/em minha sala de visitas.
Uma carambola azeda nessa tarde de sábado
/me faz feliz.
Tenho um osso agudo no palato
/que me enfraquece os nervos e não permite
/que minha língua repouse e nem passeie
dou-lhe uma lambida glutona
/a fim de gerar poesia ou mesmo uma lembrança
/antiga para chafurdar minha memória.
Hoje saí para comprar um serrote
/e cheguei com dois livros em cada mão.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

CONTE MENTIRAS NOVAS
“O ser humano que tenta ser bom o tempo
/todo está fadado à ruína entre os inúmeros outros
/que não são bons.
( Nicolau Maquiavel )


Não se iluda com as esperas: são todas vergonhosas.
E teus inimigos estão de ódio fervido dentro deles.
Senta-te no rochedo e com uma lapiseira invisível
/desenha a todos que te apunhalaram pelas costas
/com luva de pelica na mão.
Na sequência, picota um a um
E pede ao vento para que faça a distribuição
/das caras tortas/ dos dentes quebrados/ das omoplatas
/desconjuntadas/ das pernas balangando.
Não é vingança.
São apenas lugares tomados.
Em seguida, pede a um espírito que te suspenda do chão.
Depois da risca da cal, voe. FIM.